O Deus Hermes e a Defensoria Pública

 

É a primeira vez na história da Defensoria Pública da União que a sede desta instituição abriga as três categorias da carreira (2ª categoria, 1ª categoria e categoria especial) num mesmo prédio. A atual sede da DPU foi inaugurada em maio de 2016. Trata-se de locação de uma das 4 torres que compõe o complexo Centro Empresarial CNC no Setor de Autarquias Norte (SAUN) na capital federal.

O CNC é um projeto arquitetônico de autoria do escritório Botti Rubin Arquitetos Associados, escolhido por meio de um acirrado concurso.

Na fachada principal do complexo de 4 torres, uma das quais ocupada pela DPU, localiza-se um espelho D’água com uma imponente estátua do Deus Hermes.

O Deus Hermes e a Defensoria Pública.
O Deus Hermes e a Defensoria Pública.
O Deus Hermes e a Defensoria Pública. Foto Francisco Aragão.

Quando foi idealizado o projeto arquitetônico, certamente a ideia de seus idealizadores era remeter os visitantes ao Deus que representa mitologicamente o comércio, ou numa leitura moderna, ao Centro Empresarial.

No entanto, a Defensoria Pública prefere fazer um recorte mais direcionado às atividades finalísticas da instituição e realizar uma hermenêutica mais social para a representatividade simbólica da estátua que recepciona os hipossuficientes que procuram diariamente a DPU.

Hermes na mitologia grega (mercúrio na mitologia romana) é filho de Zeus e por ser seu mensageiro é possuidor de vários atributos. É considerado o protetor dos comerciantes, dos ladrões e dos viajantes. Como mensageiro de Zeus transitava entre vários mundos e tinha o poder da eloquência. De seu nome surgiu o vocábulo Hermenêutica.

O Defensor Público Maurilio Casas Maia e o Professor Daniel Gerhard fazem um paralelo entre o Deus Hermes e a Defensoria Pública.

“O defensor público possui missão semelhante à tarefa de Hermes: levar mensagens entre realidades diferentes, aparentemente distantes e com linguagens diferentes. É assim, portanto, que o defensor público recebe os clamores das comunidades mais estigmatizadas socialmente - v.g., as comunidades dos presídios, das favelas, dos ocupantes irregulares de propriedades –, e a traduz para os tribunais, realizando também o caminho de volta. Trata-se de via de mão dupla. É o Defensor-Hermes, o mensageiro, o garantidor da representatividade de interesses minoritários e renegados. Sem o mensageiro, tais interesses restariam esquecidos e a legitimidade democrática do poder julgador seria inevitavelmente reduzida e a democracia seria mitigada.”

Hermes sempre carrega consigo um caduceu. Uma espécie de varinha de condão que lhe concede o poder da negociação e o equilíbrio moral. O caduceu possui duas serpentes entrelaçadas, cuja parte superior é adornada com asas, juntas representam o número 8 (oito), símbolo do equilíbrio e do eterno movimento cósmico infinito.

O Deus Hermes e a Defensoria Pública.

Realmente, assim como o Deus Hermes, o que é a Defensoria Pública senão uma mensageira dos vulneráveis e excluídos? Transitando entre o mundo do direito e o mundo dos sem direito e sem esperança. Uma protetora dos socialmente excluídos.

É assim, nesta hermenêutica defensorial, que atualmente Hermes recepciona os visitantes e assistidos da Defensoria Pública da União em sua nova sede.


  1. “O defensor-hermes e amicus communitas: O 4 de junho e a representação democrática dos necessitados de inclusão discursiva”. Maia, Maurilio C. e Gerhard, Daniel. Disponível em: Clique aqui 08/06/2016.